#20 A distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa
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distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa
Gênero é uma categoria linguística inerente aos substantivos, mas
em apenas um subconjunto desses substantivos está relacionado a
"sexo”. Nos últimos tempos, vem se disseminando a tese da
proposição de um suposto gênero neutro na língua portuguesa. O tema
é complexo, ainda mais quando se ignoram questões caras para a
ciência linguística, como a distinção entre gênero social e gênero
gramatical, a função da escrita enquanto sistema representacional
que se relaciona com a fala e, mais do que tudo isso, a
dinamicidade em se tratando de línguas naturais. Para exemplificar,
recuperamos os argumentos apresentados em artigo publicado no
caderno PrOA de 4 de outubro, em que a historiadora Ana Maria
Colling defende o uso de caracteres, @ ou x, para conferir às
palavras um gênero não marcado. A distinção de gênero em português
seria sexista e reproduziria preconceitos de gênero ao
desqualificar um dos pares. Segundo o artigo, formas como "todos" e
"eles" se referem apenas aos homens. Não se reconhece ali,
portanto, que o gênero masculino simplesmente coincide com o não
marcado, isto é, o gênero que inclui tanto o masculino quanto o
feminino. O texto apresenta também algumas soluções para chegar à
linguagem sexualmente neutra. Uma delas seria seguir o exemplo do
Colégio Pedro II e colocar x no lugar de a e o. Uma solução
que só funciona na língua escrita, já que na fala esses x são
impronunciáveis. Outra, seria usar de torneios de linguagem,
evitando os pronomes flexionados; por exemplo, em vez de dizer "boa
tarde a todos", usar "boa tarde a todas as pessoas". O fato de essa
expressão substituta empregar "todas" e "as" não é visto como um
problema. Conceito de identidade de gênero enfrenta novas
resistências O empenho para "higienizar" a língua de seu suposto
preconceito é tanto que "@" é empregado até em sintagmas como
"pessoas agredid@s", esquecendo que, no caso de "agredidas", o
gênero é determinado por concordância, assim como seria em
"indivíduos agredidos". Veja que a questão não é de uma norma
externa, ditada por uma gramática prescritiva. Embora os falantes
do português nem sempre realizem a concordância, nenhum falante do
português diria "pessoas agredidos". Algumas observações das
pesquisas linguísticas podem ajudar a esclarecer essas confusões.
Em primeiro lugar, é preciso dizer que nem todas as línguas têm
gênero. Por exemplo, o guarani não distingue gênero em substantivos
e pronomes. Outras línguas têm gênero, mas não relacionado à
categoria semântica "sexo" e sim a categorias como
"animado/inanimado", ou "humano/não humano" (por exemplo, as
línguas sul-americanas Macuxi e Hixkariana). Frise-se que o próprio
termo "gênero" vem do latim "genus" e significava originalmente
"tipo", "espécie". (CHARACTER LIMIT) More in:
https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2015/12/por-que-a-distincao-entre-genero-social-e-gramatical-na-lingua-portuguesa-e-necessaria-ao-idioma-4928930.html
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distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa
Gênero é uma categoria linguística inerente aos substantivos, mas
em apenas um subconjunto desses substantivos está relacionado a
"sexo”. Nos últimos tempos, vem se disseminando a tese da
proposição de um suposto gênero neutro na língua portuguesa. O tema
é complexo, ainda mais quando se ignoram questões caras para a
ciência linguística, como a distinção entre gênero social e gênero
gramatical, a função da escrita enquanto sistema representacional
que se relaciona com a fala e, mais do que tudo isso, a
dinamicidade em se tratando de línguas naturais. Para exemplificar,
recuperamos os argumentos apresentados em artigo publicado no
caderno PrOA de 4 de outubro, em que a historiadora Ana Maria
Colling defende o uso de caracteres, @ ou x, para conferir às
palavras um gênero não marcado. A distinção de gênero em português
seria sexista e reproduziria preconceitos de gênero ao
desqualificar um dos pares. Segundo o artigo, formas como "todos" e
"eles" se referem apenas aos homens. Não se reconhece ali,
portanto, que o gênero masculino simplesmente coincide com o não
marcado, isto é, o gênero que inclui tanto o masculino quanto o
feminino. O texto apresenta também algumas soluções para chegar à
linguagem sexualmente neutra. Uma delas seria seguir o exemplo do
Colégio Pedro II e colocar x no lugar de a e o. Uma solução
que só funciona na língua escrita, já que na fala esses x são
impronunciáveis. Outra, seria usar de torneios de linguagem,
evitando os pronomes flexionados; por exemplo, em vez de dizer "boa
tarde a todos", usar "boa tarde a todas as pessoas". O fato de essa
expressão substituta empregar "todas" e "as" não é visto como um
problema. Conceito de identidade de gênero enfrenta novas
resistências O empenho para "higienizar" a língua de seu suposto
preconceito é tanto que "@" é empregado até em sintagmas como
"pessoas agredid@s", esquecendo que, no caso de "agredidas", o
gênero é determinado por concordância, assim como seria em
"indivíduos agredidos". Veja que a questão não é de uma norma
externa, ditada por uma gramática prescritiva. Embora os falantes
do português nem sempre realizem a concordância, nenhum falante do
português diria "pessoas agredidos". Algumas observações das
pesquisas linguísticas podem ajudar a esclarecer essas confusões.
Em primeiro lugar, é preciso dizer que nem todas as línguas têm
gênero. Por exemplo, o guarani não distingue gênero em substantivos
e pronomes. Outras línguas têm gênero, mas não relacionado à
categoria semântica "sexo" e sim a categorias como
"animado/inanimado", ou "humano/não humano" (por exemplo, as
línguas sul-americanas Macuxi e Hixkariana). Frise-se que o próprio
termo "gênero" vem do latim "genus" e significava originalmente
"tipo", "espécie". (CHARACTER LIMIT) More in:
https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2015/12/por-que-a-distincao-entre-genero-social-e-gramatical-na-lingua-portuguesa-e-necessaria-ao-idioma-4928930.html
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