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Direito e Economia Archiv

131 Episoden
1 Stunde 1 Minute
No episódio, Ana Frazão conversa com Alysson Portella, Doutor em Economia pelo Insper, onde é igualmente pesquisador de pós doutorado, sobre o livro "Números da Discriminação Racial", em que é autor juntamente com Michael França.


A conversa inicia-se com o professor Alysson explicando os propósitos do livro, o papel do movimento negro de trazer as questões abordadas pelo livro para o centro do debate público e as principais contribuições da ciência econômica para o debate racial contemporâneo. 


Na sequência, o professor Alysson explica o que é raça e por que precisamos falar sobre ela, as principais evidências da discriminação e o que é o viés racial implícito. A partir dessa base conceitual, são trazidos os números da discriminação racial no Brasil, mostrando os seus principais tipos, as relações com a desigualdade, as raízes históricas da desigualdade racial no Brasil, o papel da escravidão para a formação das instituições econômicas brasileiras e os principais mecanismos de perpetuação da desigualdade racial. 
55 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Flávia Ávila, Fundadora e CEO da consultoria InBehavior Lab com mais de 15 anos de experiência em estudos experimentais sobre o comportamento humano (individual e grupo) usando experimentos de laboratório, online e campo. Economista pela Unb (Universidade de Brasília) e mestre em Economia Comportamental pelo CeDEx (Center for Decision Research and Experimental Economics) da University of Nottingham na Inglaterra. Professora em Economia Comportamental e Ciências Comportamentais Aplicadas em cursos de pós-graduaçao, educaçao executiva e InBehavior Academy. Editora-chefe do site EconomiaComportamental.org, destinado a promover a área de Economia Comportamental e Experimental no Brasil desde 2014. Idealizadora e co-organizadora do livro: Guia de Economia Comportamental e Experimental (primeiro material abrangente e gratuito em português sobre as áreas de Economia Comportamental e Experimental, que pode ser baixado em economiacomportamental.org/guia.





Na conversa, a Professora Flávia Ávila explica o que é a economia comportamental e como se diferencia da economia tradicional, ressaltando o importante papel de Daniel Kahneman para a consolidação da área. Na sequência, a professora explica as limitações de racionalidade, as heurísticas e os vieses, mostrando que a Economia Comportamental se preocupa igualmente com o contexto em que as decisões são tomadas, o que ressalta os aspectos emocionais, sociais e culturais dos envolvidos.





Especial destaque é dado à questão da arquitetura de escolha, parte em que são exploradas as discussões sobre nudges, sludges. Outros pontos importantes da conversa dizem respeito às ciências comportamentais, às diversas aplicações da economia comportamental e aos principais benefícios para as organizações.
1 Stunde 14 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Ana Paula Salviatti, historiadora formada pela Universidade de São Paulo desde 2009, professora licenciada pela mesma instituição. mestre em História Econômica pela USP desde 2013, com a dissertação "A Financeirização do Meio Ambiente: O caso do mercado de créditos de carbono”e doutora  em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Campinas desde 2022, com a tese " A Ciranda Financeira no Brasil: Gênese, trajetória e Acumulação Rentista (1964 - 2022). 


 


Na conversa, a Professora Ana Paula explica o significado do termo “ciranda financeira” e o papel do rentismo para o capitalismo na periferia, como o caso brasileiro, para a construção de uma dinâmica de concentração e exclusão. Analisando um grande período temporal, que vai de 1964 a 2022, a Professora Ana Paula mostra as razões pelas quais as reformas de 1964-1965, que foram idealizadas para o fomento do crédito produtivo privado de longo prazo, não atingiram esse resultado e ainda favoreceram o comportamento conservador dos detentores de liquidez, assim como os mecanismos pelos quais a ciranda financeira operou durante o período de aceleração inflacionária vivido nas décadas de 70 e 80 e mesmo após a adoção do Plano Real.


Parte importante da conversa diz respeito às principais consequências da ciranda financeira no âmbito macroeconômico, em que a Professora Ana Paula tenta explicar porque a institucionalidade da indexação financeira dos títulos públicos em um regime curto prazista e de alta taxa de juros dificulta a realização de políticas macroeconômicas orientadas para o desenvolvimento, assim como dificulta a responsabilidade fiscal. 


Na parte final, a Professora Ana Paula ainda trata dos seus atuais projetos de pesquisa e da crítica contida no seu Antimanual de Economia. Fundamentos e críticas para não economistas.











1 Stunde 19 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com a Professora Vera Rita de Melo Ferreira, Presidente da IAREP-the International Association for Research in Economic Psychology, autora do primeiro livro sobre Psicologia Econômica no Brasil.


A Professora Vera Rita explica as origens da psicologia econômica e os caminhos pelos quais se construiu a economia comportamental, destacando as contribuições de Simon, Kahneman e Thaler. Em sua narrativa, é possível perceber como todas essas áreas se integram atualmente na grande área das ciências comportamentais.


Dentre os principais pontos da conversa, estão as principais linhas de pesquisa e métodos da psicologia econômica, as principais aplicações da psicologia econômica no mundo e no Brasil, bem como as discussões sobre arquitetura de escolha e o papel dos nudges. 


A Professora Vera Rita ainda fala do experimento que mais a surpreendeu, bem como das recentes iniciativas governamentais para inserir os conhecimentos da psicologia econômica nas políticas públicas.
52 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Marcos Hecksher, Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) no Rio de Janeiro e professor Doutor colaborador do mestrado profissional em Políticas Públicas e Desenvolvimento do IPEA e do programa de mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE)





O professor Marcos fala da importância do IPEA, da PNAD contínua e das metodologias que permitem um acompanhamento mais fidedigno dos indicadores mensais de trabalho, renda e pobreza no Brasil. Dentre os temas da conversa estão a desregulação dos mercados de trabalho, o cumprimento do ODS 8 da ONU, as razões que justificam o aumento da renda do trabalho em 2023 e as perspectivas para o futuro.





O professor Marcos também explora artigo recente que escreveu com Fernanda de Negri sobre a desoneração da folha salarial, no qual concluem que os setores com folha desonerada não são os que mais empregam. A partir desse exemplo, são discutidas as políticas públicas, tributárias ou não, que deveriam ser implementadas no Brasil para o fomento do emprego.
57 Minuten
No episódio, Ana Frazão entrevista Janaína Feijó, Pesquisadora da área de Economia Aplicada do FGV IBRE, Professora do curso de Ciências Econômicas da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV EPGE), Doutora em Economia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e com atuação nas áreas de mercado de trabalho, educação e desigualdades sociais.





Na conversa, a professora Janaína trata das principais preocupações da Economia do Trabalho na atualidade, das interseções entre as políticas trabalhistas e as políticas para redução de desigualdade e dos principais gargalos dos mercados de trabalho no Brasil. Dentre os temas mais específicos da conversa, destacam-se as questões de gênero e também os riscos da pejotização representado pelo crescimento desenfreado das MEIs para substituir trabalhos que antes eram realizados por meio do vínculo trabalhista. A professora também explora a questão da desregulação dos mercados de trabalho e dos desafios decorrentes das automação e das plataformas digitais, mostrando a necessidade de se encontrar arranjos que assegurem eficiência e proteção do trabalho.
50 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Matheus da Costa Gomes, Professor de Economia da UNIP – Ribeirão Preto sobre o tema da sua tese de doutorado: “O impacto de bancos de desenvolvimento sobre os investimentos das empresas: a experiência do BNDES.” O Professor Matheus explica as relações entre crescimento e desenvolvimento econômico e qual é o papel dos bancos de desenvolvimento nessa equação, o cenário mundial atual dos bancos de desenvolvimento e a relação destes com as políticas industriais. 


Ao adentrar no tema específico da sua tese, o Professor Matheus explica que o seu estudo desafia estudos anteriores que não encontraram efeitos favoráveis na atuação do BNDES, alegando que estes se preocuparam excessivamente com a questão econômica – o investimento – e acabaram negligenciando a questão social. Entretanto, caso considerado o aspecto social, a atuação o BNDES ganha em riqueza e complexidade, apresentando uma avaliação positiva tanto em termos de resultados como em termos de procedimentos.


Na parte final da conversa, é explorado o delicado tradeoff entre o social e o econômico e alguns perspectivas futuras de maior equilíbrio entre essas duas dimensões.
53 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Simão Silber, Professor Sênior de Economia da USP e Doutor pela Universidade de Yale. Um dos fios condutores da conversa foram as razões para o desempenho sombrio da economia brasileira nos últimos 40 anos. Dentre os fatores apontados pelo Professor Simão, estão a falta de investimento público em educação universal de boa qualidade, a ideologia neoliberal que atribui todo o mal ao estado e todas as virtudes ao mercado. Para o Professor, é falso o conflito entre mercado e governo, já que a questão é definir as áreas de atuação de cada um e como interagem. Nesse sentido, explica a importância das políticas econômicas para o crescimento e algumas alternativas para a reindustrialização no Brasil.
1 Stunde 4 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Cristiane Alkmin, Professora Doutora de Economia da FGV. Ex-Secretária de Fazenda, Planejamento e Orçamento de Goiás e Ex-Conselheira do CADE.  


A professora Cristiane aborda como vê a relação entre Estado e mercado e qual o papel do Antitruste e da Regulação. Com base na sua experiência como Conselheira do CADE, faz uma avaliação do Antitruste brasileiro, explorando os seus pontos fortes e fracos, assim como o seu aprendizado durante o tempo no CADE.


Entrando na temática específica da economia digital, a professora Cristiane explora as peculiaridades que impactam na dinâmica concorrencial, sobretudo em face do protagonismo das big techs. Faz uma análise crítica da regulação ex ante para as plataformas digitais, a exemplo do Digital Markets Act europeu, bem como do papel do Antitruste na economia digital. Especial atenção é dada ao contexto brasileiro e as discussões que estão sendo atualmente travadas aqui.
1 Stunde 3 Minuten
Ana Frazão conversa com Carmen Feijó, Professora Titular de Economia da UFF,  sobre diversos temas relacionados aos desafios da reindustrialização no Brasil, à luz do pós-káeynesianismo, que é a vertente teórica adotada pela entrevistada. Antes de ingressar na discussão mais específica, a professora Carmen explica o que é o pós-keynesianismo e a real importância de Keynes para a compreensão dos fenômenos econômicos. Nesse sentido, destaca o imprescindível papel do Estado para a economia não apenas nas crises mas para o próprio funcionamento adequado dos mercados. A professora também aborda o papel das políticas industriais e as conexões entre o pós-keynesianismo e o novo desenvolvimentismo.


Passando para a análise mais específica sobre o Brasil, a professora Carmen explora as causas da nossa desindustrialização, mostrando que não se tratou de resultado decorrente das meras forças de mercado, mas sim de uma série de políticas econômicas que privilegiaram o agronegócio e não se preocuparam em criar os devidos incentivos para a indústria. A professora também explora a importância da indústria, as relações entre a desindustrialização e as dificuldades que o Brasil vem enfrentando para o crescimento. A partir daí são abordados os desafios para a reindustrialização, inclusive sob a perspectiva da sustentabilidade e dos óbices da excessiva financeirização do capitalismo brasileiro. 
1 Stunde 6 Minuten
No episódio, ANA FRAZÃO conversa com Fernando Chague, Professor da Escola de Economia da FGV São Paulo, Doutor em Economia pela University of North Carolina at Chapel Hill e autor, juntamente com Bruno Giovannetti, do livro “Trader ou Investidor? Aprenda a investir na Bolsa sem cair nas armadilhas dos vieses comportamentais”. O professor Fernando explica a diferença entre o investidor,  que foca o longo prazo (aposentadoria, por exemplo), horizonte em relação ao qual todos tendem a ganhar, e o trader, que  foca o curto prazo, horizonte em que o ganho de um vem às custas das perdas dos outros. Sob essa perspectiva, explora as dificuldades dos traders, cujo comportamento tende a ser influenciado por importantes vieses comportamentais, o que faz com que seres humanos sejam piores do que macacos quando operam ações. A conversa trata igualmente do atual estado da arte da economia comportamental, bem como dos principais desafios que se apresentam aos traders: além dos vieses comportamentais, têm que enfrentar diversos custos de transações e ainda competir com agentes qualificados que dispõem de alta tecnologia para operar no mercado. Na parte final, o Professor  também aborda o que considera serem os “mandamentos do investidor”, ou seja, as regras a serem seguidas para obter os benefícios dos investimentos em mercado de capitais sem assumir riscos desnecessários.
1 Stunde 9 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com o professor Rafael Vasconcelos sobre o problema da má alocação de recursos no Brasil. O professor explica as principais conclusões do seu artigo Misallocation in the Brazilian manufacturing sector, no qual procura mensurar a extensão do problema no período de 1996-2011 e encontrar possíveis explicações para o crescimento da má alocação a partir de 2005. Embora o objetivo do estudo não seja o de encontrar relações causais para o problema da má alocação, o professor Rafael explica o quanto a desigualdade de oportunidades e de acesso à educação pode ser um fator importante para justificar as mazelas brasileiras, mostrando igualmente que a alta carga tributária não pode ser considerada a principal causa do atual cenário, embora distorções tributárias, assim como as concorrenciais, devam ser consideradas como prováveis concausas.


O professor situa a discussão sobre a má alocação de recursos no contexto do atual debate a respeito da desindustrialização e das políticas industriais, bem como explica as conclusões de um dos seus artigos mais recentes (The Role of Resource Misallocation in Structural Change), em coautoria com Vladimir Teles, no qual encontram diferentes padrões das mudanças estruturais nos setores industriais nos países desenvolvidos e nos países em desenvolvimento. Especial atenção é dada ao papel do Estado para resolver tais problemas, bem como aos riscos de uma intervenção estatal inadequada ou disfuncional.


Por fim, o professor Rafael ainda trata da relação entre má alocação e inovação, a partir do interessante estudo de caso da Lei de Genéricos, mostrando a sua influência na alocação de trabalhadores na indústria e a criação de mais patentes na indústria farmoquímica.
1 Stunde 4 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Lorena Hakak, Professora da Fundaçao Getúlio Vargas e Presidente da Sociedade de Economia da Família e do Gênero.


A professora Lorena esclarece a importância da Economia da Família e do Gênero, assim como os seus principais eixos e preocupações. Alguns dos pontos altos da conversa são a importância do contexto familiar para a tomada da decisão econômica, a questão do gênero no mercado de trabalho, a chamada penalidade da maternidade e a importância da autodeterminação reprodutiva das mulheres em suas vidas econômicas. A professora Lorena também explica a importância do Prêmio Nobel de Economia de 2023 ter sido concedido à Claudia Goldin, explorando também as principais contribuições da laureada na área de economia do gênero e do trabalho.


Produção e trabalhos técnicos: José Jance Marques
1 Stunde 4 Minuten
No podcast, Ana Frazão conversa com André Lara Resende, um dos principais economistas do país,  considerado um dos pais do Plano Real e autor dos livros “Consenso e contrassenso. Por uma economia não dogmática” e “Camisa de força ideológica. A crise da macroeconomia”.


Na conversa, André explica por que foi se tornando mais crítico ao longo do tempo em relação a várias das posturas econômicas que, embora contrariadas por evidências, continuam a ser propagadas por muitos economistas e pela grande imprensa. O economista fala também sobre a animosidade que a sua postura crítica gerou entre seus amigos e colegas economistas.


O fio condutor da conversa são as razões pelas quais a macroeconomia tradicional está em crise e vem sendo utilizada de forma ideológica para conter artificialmente a ação do Estado e gastos públicos que seriam necessários para o país. Mostrando os impactos da moeda fiduciária e do papel do Banco Central para regular as taxas de juros, André mostra novas perspectivas para que possamos compreender o gasto público, a inflação e as taxas de juros.


Não obstante, o autor mostra que, ao contrário do que as evidências justificariam, macroeconomia neoclássica mantém-se intocada, razão pela qual se torna um verdadeiro garrote ideológico, na medida em que não possibilita distinguir entre gastos correntes e gastos de investimento e, com isso, impede que o Estado aja tanto em prol do interesse público como em prol do bom funcionamento do setor privado?


Para André, "sem um estado competente e responsável não há como pensar em desenvolvimento, agora com a obrigação de ser socialmente inclusivo e ambientalmente sustentável.” Consequentemente, a ideia de livres mercados é uma fantasia, o que exige que pensemos em relações mais adequadas e realistas entre Estado e mercados.


Outro ponto importante da conversa é a parte em que o autor critica o caráter científico, neutro e objetivo da teoria econômica e as tentativas de equipará-la a uma espécie de física social. Ao contrário, como contadores de histórias que são, os economistas também estão sujeitos a modismos e vieses. Daí avançar nas consequências da premissa de que “a teoria econômica é inevitavelmente ideológica. Suas histórias procuram ordenar a sociedade segundo valores e interesses não explícitos”. 


Por fim, André Lara Resende ainda trata da necessária relação entre economia e política, explorando os impactos que teorias econômicas e suas aplicações podem ter para a democracia.


44 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Marcelo Medeiros, um dos maiores especialistas em desigualdade no Brasil e que já foi entrevistado no episódio 6, do Direito e Economia. O professor Marcelo volta ao podcast para falar  sobre o seu mais recente livro “Os ricos e os pobres. O Brasil e a desigualdade”, que foi lançado recentemente e já é um sucesso de público e de crítica, tendo sido destacado por todos os veículos de imprensa importantes do Brasil.


O professor Marcelo explica por que, para entender a pobreza, é preciso olhar para o topo e por que não faz nenhum sentido separar a discussão da pobreza da desigualdade. Nesse sentido, faz um mapeamento da sociedade brasileira, mostrando que há um verdadeiro abismo entre 90% da população brasileira que congrega os extremamente pobres, os pobres e os que poderiam ser considerados classe média e os 10% mais ricos. Aliás, o professor questiona tais segmentações e aponta que, embora haja muita heterogeneidade entre os 10% mais ricos, há considerável homogeneidade entre os 90% restantes, que continuam dependendo de serviços públicos de qualidade.


Prosseguindo na conversa, o professor Marcelo tenta definir o que é ser rico, em que medida a renda dos ricos é diferente e como as distinções entre riqueza, renda e consumo impactam sobre a discussão a respeito da desigualdade, inclusive no que diz respeito à tributação. Aliás, um dos pontos de preocupação do professor diz respeito a demonstrar que "a tributação da riqueza não é nada de outro mundo”e que "a fuga de capital não é certa”.


Ao tratar dos pobres, o professor apresenta algumas definições de pobreza, as diversas desigualdades de renda e as razões pelas quais não podemos nos focar apenas nos pobres. Também mostra o quanto mesmo políticas públicas baseadas em evidências são também - e precisam ser - baseadas e escolhas políticas e valorativas. Mostra a importância da educação - especialmente a superior - para a redução de desigualdade, mas propõe que o problema não será resolvido sem que todas as políticas públicas considerem os conflitos distributivos e tentem equacioná-los. Ao final, propõe que todos nós sempre pensemos em quem perde e quem ganha com as soluções jurídicas e políticas que vêm sendo propostas nas mais diversas searas e em que medida podemos utilizar as ferramentas que ele propõe para soluções mais consentâneas com a redução da desigualdade no Brasil.


Edição e trabalhos técnicos: José Jance Marques