Direito e Economia Archiv
131 Episoden
1 Stunde 6 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Fabio Giambiagi, economista do BNDES desde 1984, com passagens pela assessoria econômica do Ministério do Planejamento, pelo IPEA e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento em Washington. Além disso, foi professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA-UFRJ) e da PUC-RJ e é autor de diversos livros, dentre os quais “A Vingança de Tocqueville. A importância do bom debate”.
Na conversa, o professor Fábio Giambiagi explica porque, no seu entender, “a grande questão com a qual os defensores de reformas econômicas pro-mercado se defrontam no país é: como convencer a população de que um conjunto de políticas baseadas na forte presença do Estado na economia não darão certo, dado que essas políticas, no passado, levaram o país a se desenvolver rapidamente?”. Ao propor uma abordagem mais liberal, o professor demonstra as razões pelas quais o que funcionou no Brasil no pós-1930 por um tempo considerável não funciona mais hoje, o que seria a lógica pró-mercado que deveria prevalecer na atualidade e como se situa o debate entre ortodoxia econômica e heterodoxia. Para fundamentar suas opiniões, o professor demonstra como a economia é também política e como o liberalismo depende de alguns pressupostos, tais como a defesa das liberdades, da democracia, da plena vigência das instituições e da alternância de poder. Ponto alto da conversa diz respeito a saber como avançar no debate econômico no Brasil diante da excessiva ideologização e polarização, que obscurece o debate de ideias e faz com que os lados extremos sofram da mesma miopia.
Na conversa, o professor Fábio Giambiagi explica porque, no seu entender, “a grande questão com a qual os defensores de reformas econômicas pro-mercado se defrontam no país é: como convencer a população de que um conjunto de políticas baseadas na forte presença do Estado na economia não darão certo, dado que essas políticas, no passado, levaram o país a se desenvolver rapidamente?”. Ao propor uma abordagem mais liberal, o professor demonstra as razões pelas quais o que funcionou no Brasil no pós-1930 por um tempo considerável não funciona mais hoje, o que seria a lógica pró-mercado que deveria prevalecer na atualidade e como se situa o debate entre ortodoxia econômica e heterodoxia. Para fundamentar suas opiniões, o professor demonstra como a economia é também política e como o liberalismo depende de alguns pressupostos, tais como a defesa das liberdades, da democracia, da plena vigência das instituições e da alternância de poder. Ponto alto da conversa diz respeito a saber como avançar no debate econômico no Brasil diante da excessiva ideologização e polarização, que obscurece o debate de ideias e faz com que os lados extremos sofram da mesma miopia.
1 Stunde 4 Minuten
Neste episódio, Ana Frazão recebe Ladislau Dowbor, economista e professor titular da PUC-SP, para uma conversa aprofundada sobre a Revolução Digital e a necessidade de repensar a função social da economia.
Dowbor explora como a atual revolução tecnológica se compara à Revolução Industrial, enfatizando o papel central do conhecimento e da informação na economia contemporânea.
A discussão aborda os impactos da financeirização e do rentismo na sociedade atual, destacando como esses fenômenos contribuem para o aumento da desigualdade social e para desafios ambientais. Além disso, analisam a ascensão da indústria da atenção, refletindo sobre como as tecnologias digitais influenciam o comportamento humano e a economia.
Na parte final, são apresentadas possíveis soluções para os desafios contemporâneos, ressaltando a importância de resgatar a função social da economia e integrar princípios éticos nas decisões econômicas e institucionais.
Para saber mais sobre o trabalho do professor Ladislau Dowbor, visite seu site oficial em dowbor.org.
Dowbor explora como a atual revolução tecnológica se compara à Revolução Industrial, enfatizando o papel central do conhecimento e da informação na economia contemporânea.
A discussão aborda os impactos da financeirização e do rentismo na sociedade atual, destacando como esses fenômenos contribuem para o aumento da desigualdade social e para desafios ambientais. Além disso, analisam a ascensão da indústria da atenção, refletindo sobre como as tecnologias digitais influenciam o comportamento humano e a economia.
Na parte final, são apresentadas possíveis soluções para os desafios contemporâneos, ressaltando a importância de resgatar a função social da economia e integrar princípios éticos nas decisões econômicas e institucionais.
Para saber mais sobre o trabalho do professor Ladislau Dowbor, visite seu site oficial em dowbor.org.
1 Stunde 15 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Jorge Caldeira, Sociólogo, Cientista Político, Historiador e Jornalista, a respeito de suas principais obras com destaque para a “História da riqueza no Brasil”.
O professor esclarece a sua metodologia, a partir do estudo das instituições e da ampla pesquisa de dados analisados a partir de modelos econométricos. Nesse sentido, divide a história do Brasil em períodos, buscando compreender o crescimento econômico em cada um eles. Ao contrário da história tradicional, que tende a amesquinhar o período colonial, normalmente visto a partir da perspectiva de pouco crescimento e de transferência da riqueza para o reino, o professor Jorge Caldeira mostra que a economia colonial era, no final do século XVIII, dinâmica e muito maior do que a da metrópole, não podendo ser considerada uma economia de subsistência. Já o período imperial foi marcado pela estagnação, na medida em que o governo central do Império teria mantido a escravidão e freado o crescimento, jogando o país no atraso. Na primeira república, o professor explica a explosão de crescimento, que teria decorrido da liberação do setor privado, da quebra de isolamento do Brasil em relação ao mundo e da consequente multiplicação de empreendedores. Por fim, o professor analisada o período de 1930-2017, mostrando os seus principais desafios. Ao final, o professor faz uma síntese conclusiva, explorando o potencial do Brasil para o crescimento econômico.
O professor esclarece a sua metodologia, a partir do estudo das instituições e da ampla pesquisa de dados analisados a partir de modelos econométricos. Nesse sentido, divide a história do Brasil em períodos, buscando compreender o crescimento econômico em cada um eles. Ao contrário da história tradicional, que tende a amesquinhar o período colonial, normalmente visto a partir da perspectiva de pouco crescimento e de transferência da riqueza para o reino, o professor Jorge Caldeira mostra que a economia colonial era, no final do século XVIII, dinâmica e muito maior do que a da metrópole, não podendo ser considerada uma economia de subsistência. Já o período imperial foi marcado pela estagnação, na medida em que o governo central do Império teria mantido a escravidão e freado o crescimento, jogando o país no atraso. Na primeira república, o professor explica a explosão de crescimento, que teria decorrido da liberação do setor privado, da quebra de isolamento do Brasil em relação ao mundo e da consequente multiplicação de empreendedores. Por fim, o professor analisada o período de 1930-2017, mostrando os seus principais desafios. Ao final, o professor faz uma síntese conclusiva, explorando o potencial do Brasil para o crescimento econômico.
57 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Rafael Lucchesi, Diretor de Desenvolvimento Industrial e Economia da CNI e Presidente do Conselho de Administração do BNDES, sobre as causas do processo de desindustrialização do Brasil, assim como sobre as possíveis soluções diante do enorme potencial do Brasil em diversas frentes. Ponto importante da conversa é a relação entre a desindustrialização e as taxas de juros, uma vez que, como cada ponto percentual de juro acima do que seria uma taxa neutra custaria 50 bilhões por ano ao país, tal política de juros altos está associada a um rentismo improdutivo que, implementado pelos bancos em aliança com a mídia, compromete a nossa agenda de desenvolvimento. Outros pontos altos da conversa dizem respeito às relações entre reindustrialização e políticas industriais, bem como entre reindustrialização e sustentabilidade.
46 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Luiz Gonzaga Belluzzo, Professor Titular de Economia da Unicamp, sobre o seu novo livro em coautoria com Nathan Caixeta “Avenças e Desavenças da Economia”.
O professor explica que um dos objetivos do livro é precisamente colocar em xeque os conflitos cognitivos da economia, a fim de proporcionar um contraponto à história da autonomização e da naturalização da economia e à incorporação irrefletida do utilitarismo. Dentre os tópicos explorados, o professor Belluzzo mostra como a economia, embora se apresente como ciência objetiva é técnica, é eivada de valorações e pressupostos não revelados, assim como de tentativas de se ocultar as condições políticas. Também são abordados na conversa os temas relacionados ao papel da crise de 2008 para uma reflexão sobre os pressupostos da economia, as discussões sobre a dívida pública e os efeitos da eleição de Trump sobre vários dos problemas destacados no livro.
O professor explica que um dos objetivos do livro é precisamente colocar em xeque os conflitos cognitivos da economia, a fim de proporcionar um contraponto à história da autonomização e da naturalização da economia e à incorporação irrefletida do utilitarismo. Dentre os tópicos explorados, o professor Belluzzo mostra como a economia, embora se apresente como ciência objetiva é técnica, é eivada de valorações e pressupostos não revelados, assim como de tentativas de se ocultar as condições políticas. Também são abordados na conversa os temas relacionados ao papel da crise de 2008 para uma reflexão sobre os pressupostos da economia, as discussões sobre a dívida pública e os efeitos da eleição de Trump sobre vários dos problemas destacados no livro.
54 Minuten
No episódio, Ana Frazão entrevista Regina Madalozzo, Economista e Psicóloga, PhD em Economia pela Universidade de Illinois, autora do livro “Iguais e Diferentes”e ganhadora do prêmio Todas de Economista do ano em 2024.
Na conversa, Regina esclarece o que é a economia feminista e quais são as suas principais preocupações, assim como explora alguns de seus principais trabalhos, dentre os quais a pesquisa que apontou que as mulheres não se afastam mais do trabalho do que os homens, mesmo incluída a licença maternidade. A entrevista também aborda os principais desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho e na vida econômica de forma geral e os pontos mais urgentes que precisam ser enfrentados. Dentre os tópicos específicos, encontram-se as discussões sobre como os direitos reprodutivos das mulheres, incluindo a questão do aborto, influem na vida econômica das mulheres, bem como as questões sobre interseccionalidades.
Na conversa, Regina esclarece o que é a economia feminista e quais são as suas principais preocupações, assim como explora alguns de seus principais trabalhos, dentre os quais a pesquisa que apontou que as mulheres não se afastam mais do trabalho do que os homens, mesmo incluída a licença maternidade. A entrevista também aborda os principais desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho e na vida econômica de forma geral e os pontos mais urgentes que precisam ser enfrentados. Dentre os tópicos específicos, encontram-se as discussões sobre como os direitos reprodutivos das mulheres, incluindo a questão do aborto, influem na vida econômica das mulheres, bem como as questões sobre interseccionalidades.
1 Stunde
No episódio, Ana Frazão entrevista Lena Lavinas, Professora Titular do Instituto de Economia da UFRJ, sobre os efeitos da financeirização no Brasil e no mundo. A entrevistada começa explicando as principais características da financeirização, suas possíveis causas e os impactos na diminuiçao do crescimento econômico, na desindustrialização, na concentração de riqueza e no aumento da desigualdade. A professora também explica a captura das políticas sociais pela financeirização, mostrando os seus desdobramentos sobre o crescente endividamento das famílias. Na parte final da conversa, também são explorados os impactos da financeirização sobre a saúde, a educação e a moradia.
57 Minuten
No episódio, Ana Frazão entrevista Eduardo Magalhães, Professor da Universidade Federal do ABC, sobre o poder corporativo no Brasil. O entrevistado inicia tratando da importância de se identificar o controle empresarial, bem como da relação entre o poder econômico e o poder político. Adentrando no exame da realidade brasileira, o professor Eduardo trata dos indicadores do poder econômico (grau de saída, grau de saída ponderado e centralidade de intermediação), mostrando como os grupos privados se estruturam no Brasil e os setores da economia que são mais influenciados por tais agentes. Especial atenção é dada ao setor de saúde privada, em relação ao qual o professor Eduardo explica a atuação e o papel das sete empresas que formam o oligopólio na área e cujo poder transcende o segmento e acaba abrangendo toda a economia brasileira. Também são explorados os temas das implicações concorrenciais da atual estrutura do setor de saúde, as repercussões para o SUS e as deficiências da atuação de autoridades, como a ANS e o CADE.
O artigo que deu suporte à entrevista pode ser acesso pelo presente link (Vista do Quem está no comando? Poder entre grupos econômicos hegemônicos no Brasil), assim como o artigo jornalístico do professor Ladislau Dowbor no qual se inspirou o entrevistado para realizar o estudo pode ser acessado pelo presente link O poder corporativo mundial
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
O artigo que deu suporte à entrevista pode ser acesso pelo presente link (Vista do Quem está no comando? Poder entre grupos econômicos hegemônicos no Brasil), assim como o artigo jornalístico do professor Ladislau Dowbor no qual se inspirou o entrevistado para realizar o estudo pode ser acessado pelo presente link O poder corporativo mundial
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
54 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Vinícius Centeno, Fernando Fellows e Eduardo Mantoan sobre a financeirizaçao das empresas no Brasil, especialmente partir do artigo que escreveram com o mesmo título no livro Financeirização. Crise, Estagnação e Desigualdade, organizado por Lena Lavinas, Norberto Martins, Guilherme Gonçalves e Elisa Van Waeyenberge.
Os autores explicam o que é a financeirização das empresas, quando começa esse processo e quais são as suas principais características e mecanismos, dentre os quais o crescimento do endividamento, o aumento das incorporações hostis e aquisições alavancadas, a expansão da distribuição de dividendos, a recompra de ações, a terceirização de atividades produtivas e a redução do investimento na empresa. Também tratam do papel da teoria da maximização do valor do acionista e do chamado short-termism para a mudança na governança das empresas, assim como exploram as principais consequências do processo de financeirização de setores produtivos, incluindo o feito fuga (crowd out) do investimento.
Especial atenção é dada às consequências da financeirização no Brasil e em países em desenvolvimento.
Os autores explicam o que é a financeirização das empresas, quando começa esse processo e quais são as suas principais características e mecanismos, dentre os quais o crescimento do endividamento, o aumento das incorporações hostis e aquisições alavancadas, a expansão da distribuição de dividendos, a recompra de ações, a terceirização de atividades produtivas e a redução do investimento na empresa. Também tratam do papel da teoria da maximização do valor do acionista e do chamado short-termism para a mudança na governança das empresas, assim como exploram as principais consequências do processo de financeirização de setores produtivos, incluindo o feito fuga (crowd out) do investimento.
Especial atenção é dada às consequências da financeirização no Brasil e em países em desenvolvimento.
46 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Daniel de Pinho Barreiros, Professor do Instituto de Economia da UFRJ e autor do livro “Estabilidade e crescimento. A elite intelectual moderno burguesa no ocaso do desenvolvimentismo (1960-69)”
O livro trata da “elite intelectual moderno-burguesa”, cuja presença foi marcante no debate econômico brasileiro durante a década de 60 e seguintes, além de ter participado diretamente das reformas implementadas após o golpe militar de 1964. Dentre os seus principais nomes, o livro destaca Eugênio Gudin, Otávio Gouvea de Bulhões, Roberto Campos, Delfim Netto e Mario Henrique Simonsen.
Na conversa, o professor Daniel explica o fio condutor que unia tais economistas, ressaltando o papel do pragmatismo, da ética utilitarista e da retórica na aplicação de teorias. Partindo da premissa de que se tratava de um grupo funcional, são explorados o papel da ideologia, das escolhas teóricas e da formação das elites intelectuais, os critérios de acesso, o exercício funcional dos intelectuais no debate econômico e as possibilidades e os limites do projeto retórico.
O professor explica também como se estruturou o ataque da elite intelectual moderno-burguesa ao desenvolvimentismo, assim como a importância do princípio da utilidade na luta contra o projeto desenvolvimentista, na própria compreensão de desenvolvimento econômico e na redefinição do tamanho e do papel do Estado e da burocracia, assim como do gasto público. Especial atenção é dada à importância da austeridade e mesmo do sacrifício da população em nome do crescimento econômico.
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
O livro trata da “elite intelectual moderno-burguesa”, cuja presença foi marcante no debate econômico brasileiro durante a década de 60 e seguintes, além de ter participado diretamente das reformas implementadas após o golpe militar de 1964. Dentre os seus principais nomes, o livro destaca Eugênio Gudin, Otávio Gouvea de Bulhões, Roberto Campos, Delfim Netto e Mario Henrique Simonsen.
Na conversa, o professor Daniel explica o fio condutor que unia tais economistas, ressaltando o papel do pragmatismo, da ética utilitarista e da retórica na aplicação de teorias. Partindo da premissa de que se tratava de um grupo funcional, são explorados o papel da ideologia, das escolhas teóricas e da formação das elites intelectuais, os critérios de acesso, o exercício funcional dos intelectuais no debate econômico e as possibilidades e os limites do projeto retórico.
O professor explica também como se estruturou o ataque da elite intelectual moderno-burguesa ao desenvolvimentismo, assim como a importância do princípio da utilidade na luta contra o projeto desenvolvimentista, na própria compreensão de desenvolvimento econômico e na redefinição do tamanho e do papel do Estado e da burocracia, assim como do gasto público. Especial atenção é dada à importância da austeridade e mesmo do sacrifício da população em nome do crescimento econômico.
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
59 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Norberto Martins, Professor do Instituto de Economia da UFRJ, sobre o fenômeno da financeirização e de como a lógica financeira passa a ser internalizada no lócus da produção e da valorização dos capitais. O Professor explica as razões e os meios pelos quais a financeirização pode ser vista como resultado de mudanças institucionais que tomaram corpo a partir da década de 80, com o protagonismo crescente do neoliberalismo financeiro ou capitalismo gestor do dinheiro.
Um dos focos da entrevista diz respeito aos principais impactos da financeirização, incluindo o crescente papel das instituições financeiras e investidores institucionais, notadamente fundos de investimento e fundos de pensão, que trazem mudanças na gestão empresarial, dentre as quais a priorização do desempenho de curto prazo. O professor também aborda as principais consequências da financeirização no Brasil, tratando da desestruturação de setores como a filantropia, as saúde (pública e privada, a agricultura, a economia dos cuidados, e educação, a moradia, as políticas sociais de combate à pobreza e de inclusão social.
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
Um dos focos da entrevista diz respeito aos principais impactos da financeirização, incluindo o crescente papel das instituições financeiras e investidores institucionais, notadamente fundos de investimento e fundos de pensão, que trazem mudanças na gestão empresarial, dentre as quais a priorização do desempenho de curto prazo. O professor também aborda as principais consequências da financeirização no Brasil, tratando da desestruturação de setores como a filantropia, as saúde (pública e privada, a agricultura, a economia dos cuidados, e educação, a moradia, as políticas sociais de combate à pobreza e de inclusão social.
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
56 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Bruno Mader, Doutorando em Economia na UFRJ, Mestre em Política Econômica pela Universidade de Genebra (2022) e colunista online da revista Le Monde Diplomatique Brasil.
A conversa gira em torno da explicação que Bruno Mader atribui para os juros altos no Brasil: a sua tese é a de que, em nosso país, existe uma coalizão financeira que usa o seu poder político e econômico para elevar juros e garantir receitas em dois importantes mercados: o obrigacionista, no qual se negociam títulos públicos, e o de crédito. Por meio da criação de canais rentistas, o que envolve corrupções institucionais e práticas monopolistas, a coalizão controla os mercados e expropria a renda dos empresários e trabalhadores para si, criando o maior esquema de transferência de renda da história do país. Daí a hipocrisia entre discurso e prática dos agentes financeiros, na medida em que defendem menos Estado, responsabilidade fiscal e concorrência, ao mesmo tempo em que são responsáveis pelo aumento da dívida pública em prol dos rentistas e se beneficiam de estruturas monopolistas.
Na conversa, Bruno mostra que, no contexto da financeirização, a verdadeira luta de classes não é entre capital e trabalho, mas sim entre capital financeiro, de um lado, e trabalhadores e capital produtivo de outro. O autor também aborda os principais canais rentistas: (i) influenciar a emissão de títulos pelo tesouro nacional, garantindo que emissões sejam feitas com o objetivo de proteger o setor financeiro de riscos econômicos, (ii) influenciar a definição da taxa Selic, mantendo-a elevada, tal como ocorre com o relatório Focus, que desvia o Banco Central do seu papel democrático, (iii) obstruir a condução da política monetária nacional por meio da indexação financeira, já que, diferentemente de outros países, a maior parte dos títulos emitidos pelo tesouro nacional são indexados ao invés de prefixados e (iv) utilizar o mercado de crédito para sustentar as receitas das instituições financeiras quando a Selic cai, ou seja, quando os três primeiros canais não funcionam.
Ao final da conversa, Bruno Mader trata também da autonomia do Banco Central, da insuficiência da redução da Selic para resolver o problema e de possibilidades de soluções estruturais que repensem as instituições monetárias a partir de uma lente democrática.
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
A conversa gira em torno da explicação que Bruno Mader atribui para os juros altos no Brasil: a sua tese é a de que, em nosso país, existe uma coalizão financeira que usa o seu poder político e econômico para elevar juros e garantir receitas em dois importantes mercados: o obrigacionista, no qual se negociam títulos públicos, e o de crédito. Por meio da criação de canais rentistas, o que envolve corrupções institucionais e práticas monopolistas, a coalizão controla os mercados e expropria a renda dos empresários e trabalhadores para si, criando o maior esquema de transferência de renda da história do país. Daí a hipocrisia entre discurso e prática dos agentes financeiros, na medida em que defendem menos Estado, responsabilidade fiscal e concorrência, ao mesmo tempo em que são responsáveis pelo aumento da dívida pública em prol dos rentistas e se beneficiam de estruturas monopolistas.
Na conversa, Bruno mostra que, no contexto da financeirização, a verdadeira luta de classes não é entre capital e trabalho, mas sim entre capital financeiro, de um lado, e trabalhadores e capital produtivo de outro. O autor também aborda os principais canais rentistas: (i) influenciar a emissão de títulos pelo tesouro nacional, garantindo que emissões sejam feitas com o objetivo de proteger o setor financeiro de riscos econômicos, (ii) influenciar a definição da taxa Selic, mantendo-a elevada, tal como ocorre com o relatório Focus, que desvia o Banco Central do seu papel democrático, (iii) obstruir a condução da política monetária nacional por meio da indexação financeira, já que, diferentemente de outros países, a maior parte dos títulos emitidos pelo tesouro nacional são indexados ao invés de prefixados e (iv) utilizar o mercado de crédito para sustentar as receitas das instituições financeiras quando a Selic cai, ou seja, quando os três primeiros canais não funcionam.
Ao final da conversa, Bruno Mader trata também da autonomia do Banco Central, da insuficiência da redução da Selic para resolver o problema e de possibilidades de soluções estruturais que repensem as instituições monetárias a partir de uma lente democrática.
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
1 Stunde 4 Minuten
No episódio, Ana Frazão entrevista João Fragoso, Professor Titular de História da UFRJ e autor de diversos livros, dentre os quais “A Sociedade Perfeita. As Origens da Desigualdade Social no Brasil”.
Na conversa, o Professor João Fragoso procura explicar como as desigualdades sociais e políticas que marcaram a formação do Brasil são explicadas pelo pensamento cristão medieval e entendidas como fatos imutáveis do destino: a sociedade perfeita era uma sociedade desigual e criada por Deus, de forma que as diferenças sociais eram vistas com resignação e desejadas. Também são explorados os elementos de pessoalidade entre os desiguais, seja para mostrar como castigos eram aceitos pelos subalternos (pobres, escravos e lavradores), seja para mostrar como estes esperavam de seus senhores os favores.
O Professor confere especial atenção não só ao papel da escravidão, mas também das alforrias e dos acessos dos forros à propriedade para a formação da estrutura social brasileira. Ainda que alerte que não está tratando do Brasil contemporâneo, urbano, industrial e do agro, com seus subprodutos de miséria, racismo e machismo, tenta propor algumas formas de reflexão para que possamos entender as associações entre as origens da desigualdade social e o atual estado de coisas.
Apresentação: Ana Frazão
Produção e edição: José Jance Marques
Na conversa, o Professor João Fragoso procura explicar como as desigualdades sociais e políticas que marcaram a formação do Brasil são explicadas pelo pensamento cristão medieval e entendidas como fatos imutáveis do destino: a sociedade perfeita era uma sociedade desigual e criada por Deus, de forma que as diferenças sociais eram vistas com resignação e desejadas. Também são explorados os elementos de pessoalidade entre os desiguais, seja para mostrar como castigos eram aceitos pelos subalternos (pobres, escravos e lavradores), seja para mostrar como estes esperavam de seus senhores os favores.
O Professor confere especial atenção não só ao papel da escravidão, mas também das alforrias e dos acessos dos forros à propriedade para a formação da estrutura social brasileira. Ainda que alerte que não está tratando do Brasil contemporâneo, urbano, industrial e do agro, com seus subprodutos de miséria, racismo e machismo, tenta propor algumas formas de reflexão para que possamos entender as associações entre as origens da desigualdade social e o atual estado de coisas.
Apresentação: Ana Frazão
Produção e edição: José Jance Marques
56 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Pedro Nery, Doutor em Economia pela Universidade de Brasília – UnB, Consultor Legislativo do Senado Federal e Professor do IDP, sobre o seu novo livro "Extremos: um mapa para entender as desigualdades do Brasil”.
A conversa gira em torno das localidades visitadas pelo autor a fim de tensionar os extremos brasileiros: Pinheiros-SP (maior desenvolvimento) x Ipixuna – AM (menor desenvolvimento), Morumbi-SP (maior longevidade) x Mocambinho-PI (menor longevidade), Distrito Federal (maior riqueza) x Maranhão (maior pobreza), Nova Petrópolis (maior número de aposentados) e Severiano Melo (maior número de auxílio emergencial). O Professor Pedro Nery indica os pontos altos da viagem, explicando as razões pelas quais o Brasil sintetiza a desigualdade do mundo e pode ser visto como um verdadeiro microcosmo do planeta: nossos ricos se equiparam aos ricos americanos, chineses ou franceses enquanto os miseráveis se equiparam aos congoleses, indianos ou ubques.
O professor Pedro Nery mostra também como a desigualdade é ruim para o crescimento econômico, pois é forma ineficiente de se organizar a economia. Além disso, trata de algumas questões exploradas no livro, tais como a reforma tributária, a reforma administrativa, os programas de distribuição de renda e a educação.
A conversa gira em torno das localidades visitadas pelo autor a fim de tensionar os extremos brasileiros: Pinheiros-SP (maior desenvolvimento) x Ipixuna – AM (menor desenvolvimento), Morumbi-SP (maior longevidade) x Mocambinho-PI (menor longevidade), Distrito Federal (maior riqueza) x Maranhão (maior pobreza), Nova Petrópolis (maior número de aposentados) e Severiano Melo (maior número de auxílio emergencial). O Professor Pedro Nery indica os pontos altos da viagem, explicando as razões pelas quais o Brasil sintetiza a desigualdade do mundo e pode ser visto como um verdadeiro microcosmo do planeta: nossos ricos se equiparam aos ricos americanos, chineses ou franceses enquanto os miseráveis se equiparam aos congoleses, indianos ou ubques.
O professor Pedro Nery mostra também como a desigualdade é ruim para o crescimento econômico, pois é forma ineficiente de se organizar a economia. Além disso, trata de algumas questões exploradas no livro, tais como a reforma tributária, a reforma administrativa, os programas de distribuição de renda e a educação.
1 Stunde 25 Minuten
No episódio, Ana Frazão conversa com Fernando Nogueira da Costa, Professor Titular de Economia da Unicamp, sobre suas obras e reflexões, com foco no livro “Métodos de Análise Econômica”. O Professor Fernando explica o que se espera e se exige de um economista, bem como as principais classificações de economistas.
Ao tratar dos principais métodos de análise econômica, é ressaltada a importância do método interdisciplinar, com muitas associações entre direito e economia. Por fim, o Professor Fernando ainda compartilha os conselhos que recebeu da sua mentora, a professora Maria da Conceição Tavares, sobre o que se espera e se exige de um grande economista.
Ao tratar dos principais métodos de análise econômica, é ressaltada a importância do método interdisciplinar, com muitas associações entre direito e economia. Por fim, o Professor Fernando ainda compartilha os conselhos que recebeu da sua mentora, a professora Maria da Conceição Tavares, sobre o que se espera e se exige de um grande economista.