No episódio, Ana Frazão conversa com Bruno Mader, Doutorando em
Economia na UFRJ, Mestre em Política Econômica pela Universidade
de Genebra (2022) e colunista online da revista Le Monde
Diplomatique Brasil.
A conversa gira em torno da explicação que Bruno Mader atribui
para os juros altos no Brasil: a sua tese é a de que, em nosso
país, existe uma coalizão financeira que usa o seu poder político
e econômico para elevar juros e garantir receitas em dois
importantes mercados: o obrigacionista, no qual se negociam
títulos públicos, e o de crédito. Por meio da criação de canais
rentistas, o que envolve corrupções institucionais e práticas
monopolistas, a coalizão controla os mercados e expropria a renda
dos empresários e trabalhadores para si, criando o maior esquema
de transferência de renda da história do país. Daí a hipocrisia
entre discurso e prática dos agentes financeiros, na medida em
que defendem menos Estado, responsabilidade fiscal e
concorrência, ao mesmo tempo em que são responsáveis pelo aumento
da dívida pública em prol dos rentistas e se beneficiam de
estruturas monopolistas.
Na conversa, Bruno mostra que, no contexto da financeirização, a
verdadeira luta de classes não é entre capital e trabalho, mas
sim entre capital financeiro, de um lado, e trabalhadores e
capital produtivo de outro. O autor também aborda os principais
canais rentistas: (i) influenciar a emissão de títulos pelo
tesouro nacional, garantindo que emissões sejam feitas com o
objetivo de proteger o setor financeiro de riscos econômicos,
(ii) influenciar a definição da taxa Selic, mantendo-a elevada,
tal como ocorre com o relatório Focus, que desvia o Banco Central
do seu papel democrático, (iii) obstruir a condução da política
monetária nacional por meio da indexação financeira, já que,
diferentemente de outros países, a maior parte dos títulos
emitidos pelo tesouro nacional são indexados ao invés de
prefixados e (iv) utilizar o mercado de crédito para sustentar as
receitas das instituições financeiras quando a Selic cai, ou
seja, quando os três primeiros canais não funcionam.
Ao final da conversa, Bruno Mader trata também da autonomia do
Banco Central, da insuficiência da redução da Selic para resolver
o problema e de possibilidades de soluções estruturais que
repensem as instituições monetárias a partir de uma lente
democrática.
Apresentação: Ana Frazão
Produção: José Jance Marques
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