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episódio que começa discutindo se vale mais a pena ter um filho
ou ganhar uma Libertadores termina com um convidado ligando pra
Receita Federal pra tentar deportar o Abel Ferreira?Uma coisa é
assistir o Galo perder mais uma Libertadores pro Palmeiras e
xingar o Abel de sorte. Outra completamente diferente é chegar à
conclusão, no meio do episódio, de que o cara tem um pacto — que
ele é o capeta do Vilarinho tatuado de técnico — e montar um
plano real, com ritual, sacrifício de bode virgem e telefonema
pro ICE dos Estados Unidos, pra tirar ele do Brasil.Neste
episódio, João e Alberto recebem Sável e Alex, dois criadores de
conteúdo atleticanos, pra um programa inteiro de bairrismo
mineiro sem nenhuma pauta do eixo. Sável conta como Yuri Marçal
virou "coordenador tático" do Paulinho e o levou de surpresa pra
um churrasco na casa do jogador — depois de passar meses xingando
o Paulinho de burro na internet. Alex, que faz jiu jitsu há quase
vinte anos, é campeão de memória com TDAH e careca por opção,
explica por que superestrela traumatiza e por que cinco jogadores
arroz com feijão valem mais que um holofote. E os quatro passam o
fio da meada pela viagem de van de quatro dias de BH até Assunção
pra ver o Galo perder a Sul-Americana.Mas o papo vai muito além.A
conversa passa por: ter filho x ter Libertadores: a discussão
que abre o episódio e não convence ninguém a síndrome de
desaparecimento do Matheus Pereira e por que quem jogou mal
contra o Flamengo foi o Gerson o Fábio como o goleiro mais
injustiçado do futebol brasileiro — e por que o motivo não é a
igreja o Barba Ball como "terrorismo em forma de futebol": feio
de ver, mas efetivo, e melhor que o time bonito do Sampaoli
arroz com feijão que ganha campeonato, de Roger Gracie no jiu
jitsu ao zagueiro que só joga pra onde o nariz aponta o Atlético
como a máquina de queimar jogador de base mais eficiente do
Brasil Thiago Heleno entregando o título da Libertadores com um
"toca pro pai" o Procópio Cardoso, a perda de memória recente e
o tweet "manda a foto da traseira da sua mulher" a história
completa da casa do Paulinho, o "cala a boca, olha quem você é,
olha quem eu sou" e a lesão por estresse na canela a viagem de
van pro Paraguai: quem foi, o estádio pior que o campinho da rua,
o bafômetro na entrada e o Alex viciado em energético que não
dormiu nenhuma noite o copo de urina morno que caiu no pé do pai
do Alberto no Mineirão e a gentrificação que expulsou o pobre do
estádio depois da Copa de 2014 a teoria do café de 1 real x o
café de 100 reais aplicada ao preço do ingresso o que é uma
"tomada hostil" de clube e por que a dívida do time vira os juros
do empréstimo que o próprio dono fez Pedrinho x os donos do
Galo: comprar o Cruzeiro pra ele é como quem tem 100 mil comprar
um PlayStation de 800 o bairrismo mineiro em estado puro: Galo e
Cruzeiro na frente, e depois qualquer um, menos Rio e São Paulo
o plano de Sável pra deportar o Abel Ferreira, ritual por ritual,
ligação por ligação a saudade do KalilE no meio de tudo isso
sobra uma pergunta difícil: o que acontece com um clube de
futebol quando ele deixa de ser do torcedor e vira propriedade de
um dono só — e o que a gente perdeu de verdade quando trocou a
geral lotada por um estádio caro e organizado?
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