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Meditações de Marcus Aurélius - Livro VIII - Parte 1/10 O livro
oito começa com Marcos Aurélio se questionando sobre a glória e o
desejo de ser reconhecido como filósofo. Ele diz que muitos vão
se lembrar, inclusive ele mesmo, do tempo em que ele andou
afastado da filosofia, e que isso deixou uma marca tão profunda
que ele não pode se auto intitular filósofo. Ele diz que o seu
próprio estado atual mostra que ele ainda tem muito a aprender e
a melhorar. Ele diz que devemos esquecer a fama e nos contentar
em viver conforme a natureza, o que quer que ela dure. Ele diz
que devemos procurar entender o que ela quer e não nos afligir
com nada mais. Ele diz que nós já sabemos, pela experiência de
tantos e tantos erros, que a felicidade não se encontra no
silogismo, nem na riqueza, nem na glória, nem no gozo dos
prazeres, e nem em parte alguma. Ele diz que a felicidade está em
realizar o que a natureza do homem reclama. E como fazer isso?
Adquirindo os princípios que regem os impulsos e as ações. Que
princípios? Os do bem e do mal. Ele diz que nada é bom para o
homem se não o torna justo, sábio, viril, livre, e nada é mau se
não acarreta os vícios opostos a tais virtudes. Ele diz que a
cada ação devemos perguntar a nós mesmos que efeitos terá para
nós, se não nos trará arrependimento, se está de acordo com a
natureza de um ser inteligente, social, que vive sob a lei
divina. Ele diz que isso é o que ele mais pode desejar. Ele
termina essa parte relembrando que ele está escrevendo para si
mesmo, em um diário pessoal, que ele não esperava que fosse
publicado. Ele se repreende por ter se afastado da filosofia, por
não ter se focado por tanto tempo no seu próprio crescimento
interno, por ter perdido tempo com fama e glória. Ele diz que ele
precisa se esforçar para viver por princípios, e que ele sabe que
a felicidade não está na riqueza, na glória, nem no gozo dos
prazeres, mas na busca das virtudes e de viver de acordo com a
natureza ou com Deus, como ele também chama. Leita esse trecho
"1. Um dos fatos que contribuem para que não se iluda com a
glória é o de já não depender de ti ter vivido toda a vida ou,
pelo menos, desde a juventude, como filósofo. Pelo contrário:
muitos irão se recordar, inclusive você mesmo, do tempo em que
andou afastado da filosofia. Isso causou uma marca tão profunda
que já não é mais tão simples se autointitular um filósofo, pois
o seu próprio estado atual depõe contra tal título. E se você
enxerga de fato onde reside o problema, esqueça a fama e
contente-se em viver como quer a natureza o resto de sua vida,
dure ela o que durar. Procura entender o que ela quer e não se
aflija com nada mais. Você bem sabe, pela experiência de tantos e
tantos erros, que a felicidade não se encontra nos silogismos,
nem na riqueza, nem na glória, nem no gozo dos prazeres, nem em
parte alguma. “Onde, então, ela está?” “Em realizar o que a
natureza do homem conclama.” “Como, então, realizá-lo?”
“Adquirindo os princípios que regem os impulsos e as ações.” “Que
princípios?” “Os do bem e do mal, ou seja: nada é bom para o
homem, se não o torna justo, sábio, viril, livre, e nada é mau,
se não lhe acarreta os vícios opostos a tais virtudes.” 2. A cada
ação, pergunta a ti mesmo: Que efeitos terá para mim? Não me
trará arrependimento? Em breve estarei morto e tudo haverá
desvanecido. Ora, se a minha ação está de acordo com a natureza
de um ser inteligente, social, que vive sob as leis divinas, que
mais posso desejar? "
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