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Meditações de Marcus Aurélius - Livro VIII - Parte 9/10 Neste
trecho, o imperador fala sobre a importância de não se deixar
levar pelas impressões falsas ou exageradas que temos das coisas,
mas sim de se ater à realidade e ao que podemos controlar. Leia o
trecho abaixo "49. Não acrescente nada a ti mesmo que não lhe
seja comunicado pela sua percepção imediata. Por ela você
eventualmente sabe que fulano falou mal de você: mas ela lhe
comunicou apenas isso, não lhe ordenou que se afligisse ou se
irritasse. Outro exemplo: percebo que meu filho está doente. Mas
é apenas isso, não há indicação de que a sua vida esteja correndo
perigo. Assim sendo, atenha- se sempre a sua percepção imediata,
sem lhe acrescentar nada por sua conta ou fantasia, e nada lhe
acontecerá. A sua percepção, acrescente somente as reflexões
vindas das sua experiência como homem e amante da filosofia, que
conhece as relações e os enlaces de tudo o que transcorre neste
mundo. 50. Este pepino é amargo? Jogue-o fora. Há espinhos no
caminho? Esquive-se deles. E isso já basta; não é preciso
acrescentar a pergunta: “Por que existem essas coisas no mundo?”
Aliás, rirá de ti o estudioso da natureza, como ririam o
marceneiro e o sapateiro, se você os repreendesse por encontrar
em suas oficinas as sobras dos materiais usados nos seus
trabalhos. Na realidade, eles até têm onde as despejar, enquanto
a natureza universal não tem lugar fora [de si mesma]. O
admirável em sua arte é que, tendo traçado os seus próprios
limites, mesmo quando tudo dentro deles parece corrompido, velho
e imprestável, ela os transmuta em novos elementos em si própria,
de modo que dessas mesmas coisas [antigas] criam-se outras novas,
e assim ela não precisa de substâncias externas nem de um lugar
para despejar detritos. À natureza basta, portanto, o seu próprio
espaço, a sua própria substância e a sua própria arte. 51. Não
seja vagaroso em seus atos, confuso em suas conversas nem vago em
suas ideias. Não deixe que sua alma esteja demasiadamente voltada
nem para si mesma nem para o que há lá fora, nem que a sua vida
seja tão preenchida de trabalho que não lhe reste nenhum momento
de lazer. Ora, é verdade que os homens são violentos, matam e
amaldiçoam, mas nada disso pode realmente impedir que a sua mente
se conserve pura, sensata, prudente e justa. É como se alguém,
parado junto de uma fonte clara e doce, a insultasse: nem por
isso ela deixaria de brotar a sua água cristalina. Que lhe atirem
lama ou estrume, não importa, ela logo dissolverá toda sujeira,
sem jamais deixar de ser pura. Como, então, você poderá ter
[dentro de si] uma fonte perene, e não um poço? Fomentando dia
após dia a sua independência [deste mundo], com mansidão,
simplicidade e modéstia. 52. Quem não sabe o que é o mundo não
sabe onde está. Quem não sabe para o que nasceu não sabe o que é,
nem o que é o mundo. Quem negligenciou uma dessas noções não
poderia dizer sequer para o que existe. Ora, e como lhe parece
quem evita ou teme o louvor dos que o aplaudem, visto que tais
aplausos vêm justamente daqueles que ignoram onde estão e o que
são? 53. Você quer o aplauso de um homem que se maldiz três vezes
por hora? Quer mesmo agradar a um homem que é incapaz de agradar
a si mesmo? Ou por acaso agrada a si mesmo quem se arrepende de
quase tudo o que faz? !" Se você gostou deste conteúdo, por
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