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Meditações de Marcus Aurélius - Livro VIII - Parte 10/10 Neste
trecho Marcus Aurélius nos fala sobre a importância de se
conectar com a inteligência universal, que permeia todas as
coisas, e de se libertar dos vícios que só prejudicam a si mesmo.
Ele também diz que devemos respeitar o livre arbítrio dos outros,
sem depender deles para a nossa felicidade ou infelicidade, pois
cada um é senhor da sua própria alma. Ele compara a luz do sol
com a inteligência, que se difunde pelo mundo sem se esgotar, e
que ilumina quem é capaz de recebê-la. Leia o trecho abaixo: 54.
Não se limite a respirar com os outros o ar circundante, mas
busca desde já colocar a sua mente em comunhão com a inteligência
que a tudo preenche: a sua substância está derramada em toda
parte, tão disponível a quem é capaz de sorvê-la quanto o ar se
encontra à disposição de quem o aspira. 55. O vício não causa
nenhum dano ao mundo em geral; em particular, não causa nenhum
dano aos outros, mas só é prejudicial àquele a quem é possível
livrar-se dele tão logo o deseje. 56. O livre arbítrio do meu
vizinho é tão indiferente ao meu livre arbítrio quanto o seu
espírito e o seu corpo. Com efeito, embora tenhamos sido criados
tanto quanto possível uns para os outros, cada uma de nossas
almas é senhora de si. Não fosse assim, o vício do próximo
haveria de ser o meu mal; o que foi negado por Zeus, de modo que
a minha felicidade ou infelicidade não pudessem depender dos
outros. 57. A luz do sol parece estar despejada em tudo e, de
fato, está difundida por todo o mundo. Sem, no entanto,
esgotar-se, pois que a sua difusão é infinita. Sua luminosidade
chama-se aktines (irradiação) pelo fato de se estender e alongar.
Podemos verificar o que vem a ser um raio de luz, quando
observamos a luz do sol penetrar numa sala escura por uma
abertura estreita: ela se alonga em linha reta e como que se
apoia no primeiro objeto sólido que lhe aparece barrando a
passagem para o ar além; ali ela para, sem escorregar nem cair.
Da mesma forma deve a inteligência se derramar e difundir pelo
mundo, nunca se exaurindo, mas alongando-se, sem bater com
violência nos obstáculos apresentados, nem tampouco cair, mas
parando e iluminando aquilo que recebe a sua irradiação. Assim
sendo, aquele que é incapaz de refletir a sua luz se priva, por
si mesmo, da sua iluminação. 58. Quem teme a morte teme ou a
ausência dos sentidos, ou passar a sentir de alguma outra
maneira. Ora, [na morte] ou não haverá mais sensação e você
tampouco sentirá algum mal, ou você vai adquirir outra natureza
de sensibilidade, tornando-se um ser de outra espécie – sem, no
entanto, ter cessado de viver. 59. Os homens foram feitos uns
para os outros; instrua-os, pois, ou suporta- os. 60. A flecha
voa de um modo, e de outro modo se move a mente. No entanto,
quando todas as precauções são tomadas, ao partir de encontro ao
exame das coisas o percurso da mente não é menos reto do que o da
flecha rumo ao alvo. 61. Penetra a alma de cada um, e permita que
eles também penetrem a sua. Se você gostou deste conteúdo, por
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até o próximo episódio!
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